Anarquia de “esquerda” é impossível

por Daniel Castro

Eu estava há alguns meses focando em meu outro blog, nuvemdegiz.wordpress.com, enquanto a tradução de um texto do Chris Cantwell estava parada há meses um ano aqui nos rascunhos. Recentemente vi que o mesmo texto foi traduzido e publicado pelo Instituo Rothbard, que pode ser lida aqui. E por sinal recomendo fortemente a leitura do mesmo.

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A dieta aprovada pelo seu governo pode te matar

por Aaron Tao, o original está aqui

Tradução: Daniel Castro

  • heart attack

É possível imaginar uma tragédia maior que, em nossa empresa de conscientemente moldar nosso futuro de acordo com ideais elevados, nós de fato devamos produzir o exato oposto daquilo que queríamos? — F. A. Hayek

A maioria de nós “sabe” que comer muita gordura saturada (que está presente na carne vermelha, laticínios e ovos) aumenta nossos níveis de colesterol e nosso risco de doenças cardíacas. E por falar nisto, devemos consumir bem menos sal também. Estas lições são reforçadas em nossas aulas sobre saúde e pelo que a mídia nos diz há décadas. Afinal, o consenso é refletido nas “Dietary Guidelines for Americans” (em tradução livre, Orientações Dietéticas aos Americanos) lançada pelo Departamento de Agricultura dos Esados Unidos (USDA) e embasado por uma ciência alegadamente sólida e objetiva, feita pelo Instituto Nacional da Saúde (NIH). Como uma garantia extra, a Administração de Comidas e Medicamentos (FDA) irá usar sua autoridade regulatória para perseguir as gorduras trans, o pior de todos os vilões.

Apesar da aparente frente unida na guerra contra a obesidade, uma dissidência aguda sobre uma política nutricional correta está silenciosamente borbulhando sob a superfície. Pode ser um sinal dos tempos que desafios fundamentais tenham vindo à tona e estão se tornando cada vez mais aceitos. Um crescente número de cientistas está expressando um ceticismo público a respeito da orientação oficial recomendando um baixo consumo de sal. Em Fevereiro deste ano, o mais importante júri nutricional do governo retirou seu alerta de quase quatro décadas sobre a restrição do consumo de colesterol e concluiu com má vontade que “as evidências disponíveis não demonstram uma relação apreciável entre o consumo dietário de colesterol e o colesterol [no sangue].”

O consenso da Saúde se Desenrola

Em um dos editoriais do Wall Street Journal mais compartilhados de 2014, a jornalista investigativa Nina Teicholz lançou o desafio contra a corrente principal das orientações dietéticas sobre a gordura:

“A gordura saturada não causa doenças cardíacas” — ou assim um grande estudo publicado em março no jornal Annals of Internal Medicine concluiu. Como isto pode ser verdade? A pedra fundamental do conselho dietético por gerações tem sido que as gorduras saturadas na manteiga, queijo e carne vermelha devem ser evitadas porque elas entopem nossas artérias. Para muitos americanos conscientes sobre dieta, é simplesmente natureza adquirida optar por frango ao invés de lombo de vaca, ou óleo de canola no lugar de manteiga.

Porém, a conclusão do novo estudo não deve surpreender ninguém familiar com a ciência nutricional moderna. O fato é, nunca houve qualquer evidência sólida de que estas gorduras causem doenças. Nós só acreditamos nisto porque a política nutricional foi tirada dos trilhos por uma mistura de ambição pessoal, ciência ruim, politicagem e vieses.”

Teicholz elabora sobre sua tese em seu livro esclaredor e best-seller The Big Fat Surprise: Why Butter, Meat and Cheese Belong in a Healthy Diet (NT.: Previsto para ser lançado em português no Brasil em 2016). Com mais de 100 páginas de notas de rodapé e uma bibliografia extensa, é claro que Teicholz fez seu trabalho de casa. Em seus nove anos de investigação, ela revisou extensivamente a literatura científica e entrevistou muitas personalidades chave no governo, indústria privada, e grupos de interesse que influenciaram na formação da política nutricional oficial. Enquanto muitas pessoas podem ficar tentadas a culpar “os interesses nefastos das grandes empresas agrícolas (Big Food),” Teicholz descobriu que a “fonte de nossos conselhos nutricionais errados … parece ter sido causada por especialistas de nossas instituições mais confiadas, trabalhando pelo que acreditavam ser o bem comum.”

A Ascencão do Especialista do Governo

Americano com consciência cívica geralmente estão familiarizados com o aviso famoso de Dwight D. Eisenhower em seu discurso de despedida para que eles “tomem precauções contra a aquisição de influências indevidas … pelo complexo militar industrial.” Ainda assim, existe outra passagem que merece uma atenção igual, se não maior. Contra o pano de fundo da Guerra Fria, diversos intelectuais foram cooptados para se tornarem parte do Leviatã, silenciando o seu papel devido de críticos do poder:

“Hoje, o inventor solitário, trabalhando em sua loja, foi ofuscado pelo grupos de cientistas em laboratórios e campos de testes. Do mesmo modo, a universidade livre, historicamente fonte de ideias livres e da descoberta científica, experimentou uma revolução no modo de conduzir pesquisas. Parcialmente por conta dos custos gigantescos envolvidos, um contrato com o governo se torna o virtual substituto da curiosidade intelectual. … O prospecto da dominação dos estudiosos do país pelos empregos federais, alocações de projetos e pelo poder do dinheiro está sempre presente — e deve ser considerado seriamente.

Ainda assim, em respeito às pesquisa e descoberta científicas, devemos também ficar alertas quanto ao perigo oposto, de que as próprias políticas públicas se tornem cativas de uma elite cientifico-tecnológica.”

Não há melhor exemplo de uma “política pública … se tornando cativa de uma elite cientifico-tecnológica” do que o que aconteceu com a pesquisa nutricional e com a política de saúde. Ironicamente, a história de como a gordura saturada foi demonizada começou nos anos Eisenhower. Após ele sofrer um ataque cardíaco (NT.: esta história é contada e explicada no livro Good Calories, Bad Calories, de Gary Taubes), os políticos de Washington ficaram alarmados com a doença que subitamente estava acometendo a elite dominante. Depois de entrar em modo de crise “Faça algo!”, não demorou muito antes que eles entrassem na onda de especialistas que ofereciam respostas fáceis. Um deles era o Dr. Ancel B. Keys, criador da hipótese que a gordura saturada causa doenças cardíacas. Keys a partir de então exerceu talvez a maior influência na “história da nutrição” através de um domínio pessoal e profissional.

Opositores desta hipótese incluíam cientistas distintos como George V. Mann e E.H. “Pete” Ahrens, que deram voz a muitas críticas legítimas. Mas no final, eles não foram páreo para as mudanças sem precedentes forçadas por Keys e seu ajudante Jeremiah Stamler. Através de seus esforços, estes dois homens e seus apoiadores borraram a linha entre estudos objetivos e advocacia política. Não demorou muito para que os pesquisadores nutricionais céticos fossem forçados a se submeter, relegados às margens, ou afogados conforme o zeitgeist mudava a favor da hipótese de Keys e de suas soluções prediletas.

Dogma é um termo que é normalmente associado à religiões fundamentalistas. Mas infelizmente, mesmo cientistas supostamente treinados a pensar critica e independentemente não são imunes ao pensamento grupal, às tentações oferecidas pelo prestígio político, e os limites do que é “aceitável” conforme ditado pelo financiamento. Apesar dos problemas de vários estudos que aparentemente davam uma base científica sólida, a hipótese de que gorduras saturadas causam doenças cardíacas se tornou um dogma quando as burocracias de saúde americanas a institucionalizaram formalmente. Isto aconteceu graças à incansável advocacia e às relações íntimas de Keys com a Associação Americana do Coração (AHA). A influência da AHA sobre a política nutricional não pode ser exagerada. De fato, a “AHA e o NIH foram forças paralelas, e ligadas desde o começo.” Como as duas principais associações responsáveis por criar a agenda e distribuir milhões de dólares em fundos para pesquisa cardiovascular, ficou cada vez mais difícil “reverter o curso e pensar sobre outras ideias” mesmo que a hipótese que a gordura saturada causa doenças cardíacas continuasse a desapontar porque ela “havia se tornado um caso de credibilidade institucional.”

Congresso e “Big Food

Para piorar, o Congresso se envolveu diretamente durante os anos 1970 na questão de que os americanos deveriam comer. Teicholz explicou que a cultura da capital permitia que más ideias tomassem posse e se entrincheirassem (como qualquer um que já trabalhou lá pode atestar):

Com usas burocracias massivas e cadeias de comando obedientes, Washington é o lugar opostos de onde o ceticismo — tão essencial para uma ciência boa — pode sobreviver. Quando o Congresso adotou a hipótese de Keys, a ideia ganhou força como um dogma universal e inatacável, e daí por diante, virtualmente não houve caminho de volta.

Empresas da Big Food e lobistas foram até Washington e criaram uma Fundação Nutricional para enviar milhões de dólares para pesquisa e assim foram “capazes de influenciar a opinião científica conforme ela era formada.” Sem surpresas, “a promoção de comidas baseadas em carboidratos como cereais, pães, crackers, e chips, foi exatamente o tipo de conselho dietário que essas companhias favoreciam.” Estas comidas terminaram por receber belos endossos da elite nutricional do governo. Apesar do que muitos poderiam esperar, os interesses das empresas de carne e laticínios eram fracos em comparação. Carboidratos e gorduras polinsaturadas (óleos vegetais) foram amplamente favorecidos em relação às gorduras saturadas. O consumo de carne vermelha foi cada vez mais demonizado conforme novos estudos ressaltavam suas supostas consequências prejudiciais à saúde. Movimentos ambientais esquerdistas também ganharam força nesta época. Em nome da “sustentabilidade,” estas campanhas e seus apoiadores recomendavam a redução ou a total eliminação da carne da dieta.

Os Dados não Dizem o que o Congresso Pensa que eles Dizem

Através do livro, Teicholz revê a literatura científica criticamente examinando os dados puros, e não abstratos ou resumos (as únicas seções que políticos ou pesquisadores leem), e repetidamente aponta vários erros metodológicos e limitações. Em particular, ela toma cuidado de enfatizar que estudos epidemiológicos podem no máximo mostrar uma associação entre dois elementos, mas “não podem estabelecer relações causais.” Somente estudos clínicos controlados cuidadosamente podem estabelecer causas. Chocantemente, quase todos os estudos que foram citados para provar a hipótese de Keys são epidemiológicos. O famoso Estudo de Sete Países dirigido por Keys foi um estudo epidemiológico que aparentemente mostrava uma forte correlação entre o consumo de gorduras saturadas e doenças cardíacas em populações internacionais. Teicholz apontou muitas variáveis confundidoras como o fato que Keys examinou a região Mediterrânea após a Segunda Guerra Mundial. Durante este período, as pessoas estavam empobrecidas e comiam dietas anormais. Além disto, Teicholz revelou que Keys conduziu parte de suas pesquisas durante a Quaresma (nada de carne para os fiéis!) junto com outros exemplos escandalosos de escolha de dados que se adequavam à sua narrativa. Outros estudos proeminentes sofriam com defeitos similares. O Estudo do Coração de Framingham originalmente anunciou que um colesterol total elevado era um previsor confiável de doenças cardíacas, mas um estudo subsequente trinta anos depois questionou estes resultados. O Serviço Civil de Estudos Israelense mencionou que adorar a Deus abaixa o risco de ataques cardíacos! Mesmo com suas fraquezas, estes estudos são citados repetidamente e a ideia que gordura saturada leva à doenças cardíacas continua presente na sabedoria convencional.

Tendo estudado antropologia, eu fiquei deliciado que Teicholz ressaltou “paradoxos”evidentes ao descobrir diversos exemplos de populações nativas que comiam praticamente somente carne e gordura animal como os Inuit e os Masai e ainda assim não tinham virtualmente nenhum caso registrado de doenças cardíacas, obesidade, ou quaisquer das doenças crônicas da civilização Ocidental (isto é, até que elas adicionassem açúcar e carboidratos refinados às suas dietas). Em sua análise dos ensaios clínicos destinados a estabelecer causas e efeitos. ela notou um problema perturbador que aparecia repetidamente mas que geralmente era enterrado: que seguir dietas com poucas gorduras saturadas não  aumentava a expectativa de vida. Falando sobre ensaios clínicos, é válido mencionar a Initiciativa pela Saúde da Mulher (WHI), que angariou 49.000 mulheres em 1993 e visava validar os benefícios de uma dieta com pouca gordura de uma vez por todas. Aqui vão os resultados desapontadores conforme resumidos por Teicholz:

Depois de uma década comendo mais frutas, vegetais, e grãos integrais enquanto diminuindo o consumo de carnes e gordura, estas mulheres não somente não conseguiram perder peso, mas também não conseguiram uma redução significativa dos riscos de doenças cardíacas ou de qualquer grande grupo de doenças. WHI foi o maior e mais prolongado estudo sobre a dieta com pouca gordura, e os resultados simplesmente indicam que a dieta falhou.

Conforme Teicholz chega ao estado da ciência atual, ela cita o trabalho premiado do jornalista científico Gary Taubes e de alguns poucos pesquisadores heterodoxos includindo Stephen D. Finney e Jeff S. Volek, que também desafiaram o tabu contra a carne vermelha e a gordura. Graças a artigos de grande alcance na Science e no New York Times assim como um livro compreensivo,Good Calories, Bad Calories, Taubes foi mais responsável que qualquer outra pessoas em reabrir o debate de que carboidratos, e não gordura, são os causadores da obesidade e de outras doenças crônicas. Mesmo que hoje em dia mais pessoas saibam dos efeitos de consumir grandes quantidades de carboidratos refinados e açúcares, um dano permanente foi causado devido ao velho viés contra a favor da hipótese de que a gordura saturada causa doenças cardíacas. Políticos profissionais adotaram esta visão, grupos de interesse adicionaram combustível ao fogo, e restaurantes e cafeterias alteraram seus menus. Milhões de americanos mudaram seus padrões dietários e evitaram carne, leite, nata, e manteiga. No final, os resultados não foram belos:

Medindo somente pelas mortes e doenças, e excluindo as milhões de vidas desajustadas pelo excesso de peso e obesidade, é bem possível que o curso da ciência nutricional nos últimos sessenta anos tenha causado um dano sem paralelos na história da humanidade. Agora é aparente que desde 1961, toda a população americana foi, de fato, submetida a uma experiência em massa, cujos resultados foram uma falha clara. Todos os indicadores de uma boa saúde são piorados por uma dieta com pouca gordura. … Apesar de que mais de dois bilhões de dólares tenham sido gastos tentando provar que a redução de gorduras saturadas previne ataques cardíacos, a hipótese de que gorduras saturadas causam doenças cardíacas não se sustentou.

Ao final do livro, parece claro que quase tudo que o Tio Sam nos contou sobre os “perigos” da gordura saturada está completamente errado. Tendo dito isto, já passou da hora de demolirmos a pirâmide alimentar do USDA. Que a denúncia de Teicholz sirva como um alerta para quando cruzados políticos e seus aliados burocratas puderem forçar soluções de cima para baixo sobre todo mundo, sem jamais serem responsabilizados por seus erros, mesmo que absurdos.

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Falta democracia em Singapura?

Por Thomas Sowell. O original está aqui.

Tradução: Daniel Castro

Não é comum que o líder de uma pequena cidade-estado — neste caso, Singapura — ganhe uma reputação internacional. Mas ninguém merece mais isto do que Lee Kuan Yew, o fundador de Singapura como país independente em 1959, e seu primeiro ministro de  1959 a 1990. Com sua morte, ele deixa um legado valioso não somente para Singapura, mas para o mundo.

Nascido em Singapura em 1923, quando lá era uma colônia britânica, Lee Kuan Yew estudou na Universidade de Cambridge depois da segunda guerra mundial, e ficou muito impressionado com a Inglaterra ordenada e respeitadora de leis daquela época. Era grande o contraste com a Singapura pobre e cheia de crimes de então.

https://rcm.amazon.com/e/cm?lt1=_blank&nou=1&bc1=FFFFFF&IS2=1&bg1=FFFFFF&fc1=000000&lc1=0000FF&t=lewrockwell&o=1&p=8&l=as4&m=amazon&f=ifr&ref=ss_til&asins=0465022529Hoje, Singapura tem um PIB per capita mais que 50% superior ao do Reino Unido e uma taxa de crimes que uma fração da taxa inglesa. Um estudo de 2010 mostrou que mais patentes e pedidos de patentes vêm de Singapura do que da Rússia. Poucos lugares do mundo se comparam a Singapura em limpeza e ordem.

Esta transformação notável de Singapura ocorreu durante o regime autoritário de Lee Kuan Yew, por duas décadas primeiro ministro. E aconteceu apesar de alguns entraves sérios que levaram ao caos e à destruição em outeos países.

Singapura tinha poucos recursos naturais. Ela tinha de importar água potável de sua vizinha, a Malásia. Sua populaçâo consistia de diferentes raças, linguagens e religiões — a maioria chinesa e as importantes minoriais malaia e indiana.

Em uma época que outros países de terceiro mundo estavam criando economias controladas pelo governo e culpando a “exploração” de nações industriais mais avançadas por sua pobreza, Lee Kuan Yew promoveu uma economia de mercado, deu boas vindas a investimentos estrangeiros, e fez as crianças de Singapura aprenderem inglês, para maximizar os benefícios de Singapura como um porto importante para o comércio internacional.

As escolas de Singapura também ensinavam as linguagens nativas dos chineses, malaios e tâmeis indianos.https://rcm.amazon.com/e/cm?lt1=_blank&nou=1&bc1=FFFFFF&IS2=1&bg1=FFFFFF&fc1=000000&lc1=0000FF&t=lewrockwell&o=1&p=8&l=as4&m=amazon&f=ifr&ref=ss_til&asins=0465058728

Mas todos tinham de aprender inglês, porque era a língua internacional do comércio, da qual a prosperidade econômica do país dependia.

Em resumo, Lee Kuan Yew era pragmático, ao invés de ideológico. Muitos observadores viam uma contradição entre o livre mercado singapuriano e sua falta de democracia. Mas seu primeiro ministro longevo no cargo não considerava seu povo pronto para a democracia. Ao invés, ele ofereceu um governo muito menos corrupto que o dos outros países daquela região do mundo.

Seu exemplo é especialmente notável porque tantos no ocidente parecem pensar que a democracia é algo que pode ser exportada para países cuja história e tradição são totalmente diferentes das nações ocidentais que evoluíram instituições democráticas ao longo de séculos.

Mesmo um campeão da liberdade como John Stuart Mill disse no século XIX: “A forma ideal de governo, é quase desnecessário dizer, não significa que seja praticável em todoa os estados da civilização.”

Em outras palavras, a democracia tem prerrequisitos, e povos e lugares sem tais prerrequisitos não necessariamente se sairão bem quando tais instituições forwm criadas.

O exemplo recente mais doloroso foi o do Iraque, onde, um governo eleito democraticamente , criado com o gasto de sangue e dinheiro americanos, se tornou um dos principais obstáculos a um povo unido com a força para se proteger de ataques terroristas internacionais.

Em muitas partes do terceiro mundo, governos democráticos pós coloniais garantiram que não haveria mais democracia que pudesse trocar os líderes originais. Isto levou à frase cínica , “um homem, um voto — uma vez.”

A democracia pode ser maravilhosa como princípio onde ela é viável, mas é um fetiche desastroso onde ela não é.

Lee Kuan Yew entendeu os perigos e desviou deles. Se nossos advogados ocidentais da “construção de nações” em outros países aprendessem esta lição, isto poderia ser o legado mais valioso de Lee Kuan Yew.

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Redistribuição de riqueza, pela liberdade?

por Christopher Cantwell.

O original está aqui.

Greg ligou para o Free Talk Live se descrevendo como um “libertário civil”. Ele acreditava que as pessoas devem basicamente serem livres para fazer o que elas quiserem, mas ele também pensa que ficar preso em um emprego sem perspectivas é algum tipo de opressão. Ele conclui que a solução para isto é redistribuir riquezas, para, por exemplo, pagar pela educação de uma pessoa para ela melhorar sua situação de vida. Sendo um libertário eu sou bem rápido em dispensar esta noção. O clichês voluntaristas de sempre vêm à mente, imposto é roubo, não agressão, direitos de propriedade, escola austríaca de economia, incentivos etc… Adicionalmente, a chamada de Greg foi no final do programa, e portanto não tivemos muito tempo para discuti a questão. Aparentemente ele queria discutir ponto por ponto do tema da redistribuição, mas isto não era prático no final de um programa de rádio de 3 horas com intervalos comerciais a cada 15 minutos. Eu postarei o vídeo de sua chamada no final deste artigo, mas eu gostaria de escrever aqui sobre algumas das questões que ele levantou.

Liberdade, com Falta de Opções

É certamente difícil de negar que uma falta de recursos pode severamente limitar as escolhas de alguém. Se você medir a liberdade de alguém pelo seu número de opções, então você poderia entender como alguém poderia ver a cobrança de impostos como um modo de aumentar a liberdade. Se você retirar alguma propriedade de alguém muito rico, ele ainda terá muitas opções. Ao menos em teoria, você pode aumentar as opções da pessoa mais pobre ao dar a ela um pedaço relativamente pequeno da torta. Então, a teoria de que através da redistribuição de riqueza, o número de opções total das pessoas na sociedade seria aumentado. Eu não concordo com isto por vários motivos, mas esta é a teoria.

Uso da Força

Voluntaristas com razão apontam que a redistribuição requer a cobrança de impostos, e que esta requer a ameaça de uso de força. Tentar misturar liberdade com obrigar pessoas a fazer coisas parece ser inerentemente contraditório. Greg corretamente aponta que a força está sendo usada para ambos os lados. Você pode usar a força para proteger o direito de propriedade, ou para redistribui-la. Não importa como você olha para isto, sempre haverá alguma ameaça de violência envolvida. Enquanto eu discordo das conclusões de Greg sobre como resolver problemas, ele está absolutamente certo na questão do uso da força, e muito  poucos libertários estão prontos a admitir isto. A questão nunca é “violência ou não violência?”, a questão é sempre “Quem vai usar que tipo de violência para conseguir o que, e por quê?” O Princípio da Não Agressão é bastante simples, não importa o quanto muitas pessoas tentem e confundam-no. Força inicial e fraude contra uma pessoa e propriedade são proibidas. Quando esta linha é cruzada, qualquer que seja o nível de violência necessária para corrigir a situação, é justificada. Se todos aderissem a este padrão, não haveria violência, mas pessoas realista tendem a entender que isto não vai acontecer. Isto não é sobre a não violência, é sobre seu lugar devido dentro da sociedade. A linha de raciocínio de Greg parece ser “Qualquer situação que diminua as opções de alguém deve ser proibida. Uma vez que esta linha é cruzada, qualquer nível de violência que seja necessária para corrigir a situação é justificada”. Ele está longe de estar sozinho nesta opinião. Basicamente todo mundo que vota está querendo dizer “Qualquer situação que eu achar inaceitável pode ser respondida com força governamental”. Eu certamente iria preferir um mundo sem violência. Eu preferiria um mundo onde todo mundo simplesmente respeitasse as pessoas e propriedades alheias. Eu não quero violência. Pergunte ao Greg, ou a qualquer outro eleitor, e eles provavelmente diriam algo similar. Redistribucionistas dnão querem agentes do IRS (NT.: Internal Revenue Service, a Receita Federal americana) invadindo casas, eles só querem que as pessoas paguem. Fanáticos religiosos não querem colocar pessoas na prisão por atos sexuais, eles simplesmente querem que todo mundo obedeça a sua divindade. Em todos estes casos, nós preferimos a não violência, mas estamos preparados para usá-la se ela for necessária para alcançarmos nossos objetivos. Então tentativas libertárias de rotular seus rivais ideológicos como propositores da violência, enquanto alegando ser a ideologia da não violência é um pouco ingênuo. A questão está na justificativa para a violência pelas perspectivas da moralidade e da eficiência.

Eficácia da Redistribuição de Riqueza

Para questionar a eficácia, eu diria que a evidência é bem clara. A redistribuição de riqueza não trouxe mais escolhas ao mundo, e não há razão para esperar isto no futuro. Ela criou muitas pessoas que são dependentes do Estado, que perderam a noção do que riqueza sequer representa, e não têm incentivos para produzir, mas incentivos para consumir sem produzir. Uma pessoa que tem suas necessidade atendidas sem produzir tem pouco incentivo para produzir, especialmente se as “coisas grátis” foram retiradas dela uma vez que ela começar a produzir. Ao conseguir um trabalho que paga o mesmo ou menos que o benefício, parece a ela que ela está trabalhando de graça, ou até mesmo pagando para trabalhar. Para a produção se tornar recompensadora, ela deverá pagar significativamente mais que os benefícios governamentais, para compensar não só pelo trabalho feito, mas pelo dinheiro que ela estaria ganhando sem trabalhar. Se esta pessoa não for particularmente qualificada, como é o caso de muitas que recebem benefícios governamentais, isto é quase impossível. Uma pessoa que tem seu dinheiro tomado à força para ser dado a alguém que não produz, desincentiva ela de produzir também. Ele só está produzindo para se beneficiar, e se ele não puder colher os frutos de seu trabalho, não muita razão para continuar seus esforços. A quantia deste desincentivo depende de vários fatores, mas em algum ponto fará mais sentido sair da força de trabalho e receber benefícios que de outro modo ela estaria pagando por. Esta combinação coloca um grande freio em toda a economia, desencorajando a produção, e criando menos recursos disponíveis para toda a sociedade. Então, se a ideia da redistribuição é conseguir mais acesso a recurso para todos, ela falha no teste. Telefones celulares eram símbolos de status e de grande riqueza, e na época eles mal funcionavam, e certamente não tinham jogos em alta resolução ou reproduziam vídeos em tempo real. Hoje, uma tecnologia muito mais sofisticada está acessível até mesmo para os mais pobres. Isto foi conseguido ao retirarmos celulares dos ricos e darmos ao pobres? Claro que não. Os ricos pagarão muito caro pelos celulares e pelo serviço, dando muito dinheiro aos produtores e provedores. Estes produtores e provedores usaram este dinheiro para criar tecnologias mais sofisticadas e redes de acesso mais robustas. Eles competiram uns com os outros no preço para atrair mais consumidores, até que chegamos ao ponto em que pessoas estão andando por aí com computadores conectados sem fio à internet em seus bolsos por menos de 100 dólares. Imagine onde estaríamos hoje se o governo estivesse se intrometido e oferecesse a todo mundo um Motorola Flip de graça…

Moralidade da Redistribuição de Riqueza

Eu sou um grande fã da noção de uma moralidade universal e objetiva. Em outras palavras, qualquer que seja o padrão, ele é aplicado a todos. Todas essas afirmações subjetivas como “se isto então aquilo, exceto para quando X” e suas áreas cinzentas parecem ser autoderrotistas para mim. Eu sei que várias pessoas discordam disto, mas vou tentar argumentar a favor desta ideia. Para começo de conversas, a moralidade deve ser simples. Existem pessoas simples neste mundo, e elas em grande maioria preferem ser pessoas boas. Um código moral complicado (você sabe, como o sistema legal moderno) torna certo que a pessoa mediana não consiga entendê-lo. Se pessoas não podem entender a moralidade, então elas não podem ser atores morais. Se o seu código moral assegurar que a maioria das pessoas não poderão ser atores morais, não se surpreenda quando você viver em uma sociedade que não tem moral. Em segundo lugar, se nós aceitássemos que todos tem direito a seus próprios padrões morais, então o conceito de moralidade não tem significado. Se o que é imoral para mim pode simultaneamente for moral para você, se cada indivíduo for o árbitro de sua própria moralidade, então de que serve a condenação moral para a sociedade?

“Isto é mau” “Não, não é!” “Tudo certo então!”

Sem mesmo colocar um padrão, nós podemos que a redistribuição de riqueza imediatamente falha no teste da universalidade. Exceto em um caos absoluto onde cada indivíduo está livre para tomar coisas de qualquer um, a redistribuição de riqueza requer que uma classe de pessoas tenha o privilégio de tomar à força, para dar a quem eles queiram. Se é errado para mim tomar algo à força, mas correto para outra pessoa, nosso código moral vai ficar complicado muito rapidamente. E uma vez que ele fique complicado, as pessoas não o entenderão, e nós viveremos em uma sociedade sem moralidade. Se nós quisermos um padrão moral simples e universal, a não agressão é o melhor que temos. Ninguém tem a autoridade moral ou legal de iniciar força ou fraude contra outras pessoas. Todos tem a autoridade moral e legal de se defenderem. este é um padrão que pode ser ensinado a crianças que mal tem a idade para falar, e mesmo assim faz sentido para pacientes com mal de Alzheimer. O único grande obstáculo para isto, são milênios de doutrinação pela igreja e pelo estado. Para quase todo mundo vivo disseram que agentes do governo são uma classe especial de pessoas que têm a autoridade única de violar este padrão de conduta de outro modo bem entendido. Mencione remover esta autoridade e elas entram em pânico… Quem irá construir as estradas? Quem irá pegar os criminosos? Quem irá nos proteger de invasões? Oh Meu Deus! Você não pode matar policiais! Todas essas preocupações tem respostas razoáveis, claro, mas demora um bom tempo para desfazer toda uma infância e o começo da vida adulta de doutrinação estatal via o sistema de ensino público, e educação superior subsidiada. É dificilmente prático discutir isto em um post de blog, e muito menos em programa de rádio com intervalos comerciais. Mas de uma perspectiva moral, eu diria que é melhor deixar o mundo inteiro morrer de fome em um livre mercado, do que um centavo ser cobrado de impostos em nome de alimentar os pobres. Eu diria que é moralmente melhor que todos os agentes do estado sejam apedrejados até a morte, do que uma pessoa pacífica gastar um segundo de seu tempo na traseira de um carro de polícia. Felizmente, nada disto é necessário para a liberdade prevalecer, mas já passou do tempo que alguém condene moralmente o estatismo do jeito que ele merece.

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A Pílula Vermelha de Rothbard

""por Dan Sanchez (O original está aqui)

Tradução: Daniel Castro

Eu me lembro quando as viseiras caíram dos meus olhos, e eu enxerguei o Estado como ele realmente é, e sempre foi. Eu estava sentando em meu carro em San Francisco, escutando a um audiolivro do Mises.org de Por uma Nova Liberdade por Murray Rothbard. Minha percepção do mundo jamais seria a mesma novamente.

A experiência foi similar à de uma grande cena do filme Matrix. O personagem Neo sabe que algo está profundamente errado no mundo, mas não consegue identificar o que é. Ele pergunta ao misterioso Morpheus sobre algo que o está assombrando. O que é a Matrix? Morpheus responde, “É o mundo que foi colocado diante de seus olhos para cegá-lo para a verdade.” “Que verdade?” Neo pergunta. “Que você é um escravo, Neo. Como todos os demais, você nasceu agrilhoado, nasceu em uma prisão que você não pode cheirar, sentir ou tocar. Uma prisão para a sua mente.” Morpheus então oferece a Neo uma escolha entre duas pílulas: uma vermelha e uma azul. “Esta é sua última chance. depois disto, não há volta. Você toma a pílula azul: a história termina. Você acorda em sua cama e acredita no que você quiser acreditar. Você toma a pílula vermelha: você permanece no país das maravilhas e eu te mostrarei o quão profundo o buraco do coelho vai.” Neo toma a pílula vermelha, que o acorda do sonho de realidade virtual que ele havia vivido durante toda a sua vida: um sonho que fora ligado diretamente em seu cérebro enquanto, na verdade, seu corpo era hospedeiro para máquinas parasitas. Estas máquinas cultivam e se alimentam de corpos de bilhões de humanos sonhando em grandes fazendas-fábricas. Rothbard foi o meu Morpheus, assim como ele foi para incontáveis outros libertários, e sua obra foi minha pílula vermelha. Lê-la me acordou para o fato de que eu, como Neo, nasci agrilhoado: agrilhoado ao estado, que é um parasita sugador de vidas, fazendeiro de humanos que esconde a sua verdadeira natureza sob um véu de normalidade e legitimidade, através de mentiras que ele me forçou a engolir desde que eu era uma criancinha. A análise de Rothbard sobre o estado seguia a tradição de Lysander Spooner, Franz Oppenheimer, Albert Jay Nock, e Frank Chodorov. Esta tradição construiu uma teoria da justiça que não fazia exceções ao estado, e uma análise sociológica que revelava sua verdade natureza e função. Quaisquer funções benignas e expansivas que os adoradores do estado garantiram a ele, e quaisquer funções limitadas que até mesmo filósofos liberais de “contrato social” como Locke have permitiram a ele, aqueles que realmente detêm o aparato do poder estatal têm seus próprios interesses. É o uso e desenvolvimento destes que determina a verdadeira função do estado. E esta função não tem sido, como o Governador Morris alegou, tomar parte da propriedade de seus cidadãos “para a segurança dos demais.” Não, o estado não cobra impostos para proteger. Ele (ineptamente) protege para poder cobrar impostos. É um criminoso incomum que diz para criminosos comuns, “Tire suas mãos, estas são minhas vítimas.” É um “monopólio do crime,” nas palavras de Nock: um “salteador de estradas,” nas palavras de Spooner, ainda pior que um salteador, que, apesar de seus defeitos, pelo menos “não, além de te roubar, tenta fazer de você seu trouxa ou seu escravo.” É uma horda de conquistadores, como Oppenheimer explicou, se acomodando e se tornando de casa, e prudentemente limitando suas espoliações para não matar seu hospedeiro. Rothbard construiu por cima e sistematizou estas análises, especialmente em seu Por uma Nova Liberdade (1973), Anatomia do Estado (1974), e A Ética da Liberdade (1982). Rothbard demonstrou como “o Estado nada mais é que uma gangue de bandidos em grande escala…” Uma das mais importantes contribuições a esta tradição foi integrá-la com as descobertas de Étienne de La Boétie, David Hume, e Ludwig von Mises para explicar como tais“gangues de bandidos” escondem sua natureza criminosa com um véu de legitimidade tecido pelos intelectuais da corte e vestida, como uma Matrix, sobre nossos olhos pelas escolas públicas e pela mídia dominada pelo estado. Estes lacaios enganam e doutrinam o público em troca de uma fatia do dinheiro. Então, o Estado é um predador previdente, prudentemente progredindo para o parasitismo, sustentado pela propaganda. Morpheus sabiamente alertou Neo, “Lembre-se. Tudo o que eu estou te ofertando é a verdade. Nada mais.” No fim das contas, a verdade pode ser algo horrível de ser descoberta. A vida virtual de trabalho em escritório, de surfar na internet, e ir a boates de Neo foi varrida para longe enquanto ele acordava para uma realidade infernal de prisões e robôs matadores. Talvez ela não seja visualmente tão dramática quanto isto, mas a Pílula Vermelha de Rothbard também tem um grande impacto, e pode te tirar dos trilhos. É profundamente perturbador ver os véus da legitimidade e eufemismo serem levantados de instituições previamente celebradas. Aquela preciosa escola pública aonde você vai todos os dias é revelada como um campo de doutrinação e sedação, com bizarros juramentos de submissão, e a inculcação de uma reverência adoradora pelos líderes estatais do passado mais sujos de sangue. O policial heroico no carro atrás de você é revelado como um salteador, perseguidor de escravos, e um fascista brutal, que irá te roubar na primeira chance que ele tiver, algemá-lo e prendê-lo para ter lucro se você estiver com o tipo errado de ervas em sua posse, e talvez ele vá bater em você no chão ou colocar uma bala em sua cabeça se de algum modo você incomodá-lo. As guerras de defesa da liberdade que você vê sendo cobertas pelas Televisões a cabo, até mesmo as “boas guerras” em seu livro de história, são reveladas como atrocidades corruptas de assassinato em massa e terrorismo. Os “caras bons” se tornam caras maus, e muitos “caras maus” se tornam vítimas, enquanto seu mundo vira de ponta cabeça. No filme Matrix, o personagem Cypher se arrepende profundamente de não ter tomado a Pílula Azul e ativamente tenta reapagar sua mente para esquecer a realidade e retornar ao sonho. “A ignorância é uma bênção,” ele diz melancolicamente. Similarmente, a verdadeira natureza do Estado é uma realidade muito dura para alguns aceitarem, até mesmo para muito libertários. Tais pessoas muitas vezes terão uma reação visceralmente negativa a Rothbard, porque ele sempre te dá uma pura Pílula Vermelha, sem adulterações ou eufemismos. Para outros, como Neo,viver uma prazerosa, mas altamente suspeita mentira é muito mais agonizante do que olhar para a realidade, horrível como ela possa ser, cara a cara, e fazer o trabalho duro necessário para mudá-la. Tais indivíduos ficarão mais envigorados  pela clareza moral que naturalmente vem ao deixar de lados padrões duplos (dois pesos e duas medidas). Isto pode parcialmente explicar o comportamento alegre do próprio Rothbard (ago bem distante do comportamento perpetuamente deprimido de Neo) e seu amor pela vida assim como pela liberdade.

Assim Morpheus, a Pílula Vermelha de Rothbard oferece a verdade, e nada mais. Mas para muitos, a verdade dá uma boa sensação natural como nenhuma outra.

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Sobre o “expulsionismo”, e aborto

O texto a seguir é minha tradução do melhor artigo que já li sobre aborto, escrito pelo autointitulado ateu, anarquista e cuzão Christopher Cantwell.


por Christopher Cantwell

Na história da teoria libertária, um número de ideia totalmente horrendas foram propostas como “o” ideal libertário sobre direitos e responsabilidades parentais. Tudo indo de abortos parciais, passando pelo “expulsionismo”, por agressões, até deixar crianças morrerem de fome e além. É absolutamente enojante para mim, que não sou facilmente ofendido, menos ainda nauseado, algumas das coisas que libertários tentaram justificar nesse campo particular do pensamento libertário. Eu só posso imaginar como isso parece para aqueles ainda não convencidos das virtudes do libertarianismo. Tantas pessoas estão tão preocupadas com a imagem do libertarianismo, que elas tentariam mudar seus princípios fundamentais. Eu proponho que elas devam se juntar a mim em abordar este tópico usando tais princípios.

Eu serei o primeiro a reconhecer que usar conceitos provocativos e mesmo horrendos para acordar pessoas pode ser uma tática efetiva. Em muitos casos, ofender alguém é um meio de fazê-los pensar sobre um assunto que elas não teriam de outro modo considerado. Também é importante não condenar o pensador radical por tropeçar em uma ideia aparentemente horrenda, e expô-la para o mundo analisar. Publicando a terrível ideia, ele convida críticas, e tais críticas pode levar à nova descoberta que fará do mundo um lugar melhor. Por favor, mantenham isso em mente enquanto eu ataco as opiniões de duas pessoas que eu respeito profundamente durante os próximos parágrafos.

Eu também reconheço que criar crianças pode ser um assunto muito difícil de analisar. Estamos falando sobre balancear o direito à vida da criança, do dos pais ao seu corpo, vida, e propriedade, tudo o que o libertarianismo considera igualmente sagrado, em adição ao fato de que o libertarianismo não deve ficar em segundo plano, mas devem ser tratadas com um certo nível de respeito. Eu simplesmente não consigo entender como perfurar os crânios de crianças, deixar fetos em desenvolvimento abandonados por conta própria, ou crianças de colo morrerem de fome, ajuda a resolver o caso.

Isto advém da ideia de que um pai ou mãe não tem qualquer obrigação implícita com a criança. Em grande parte, podemos agradecer a Murray Rothbard por isso. De A Ética da Liberdade;

Tem sido objetado que, já que a mãe originalmente consentiu com a concepção, ela consequentemente “assumiu um compromisso” com o feto e não pode “violar” este “contrato” fazendo um aborto.  No entanto, existem muitos problemas nesta doutrina.  Em primeiro lugar, como veremos a seguir, uma mera promessa não é um contrato que pode ser compelido: os contratos só são apropriadamente executáveis se sua violação envolver roubo implícito, e claramente tal consideração não pode ser aplicada aqui.  Segundo, obviamente não há “contrato” aqui, já que o feto (óvulo fertilizado?) dificilmente pode ser considerado uma entidade contratante voluntária e consciente.  E terceiro, conforme vimos anteriormente, um ponto crucial da teoria libertária é a inalienabilidade da vontade e, portanto, a impossibilidade de se forçar contratos voluntários de escravidão.  Então, mesmo se tivesse sido firmado um “contrato”, ele não poderia ser executado porque a vontade da mãe é inalienável e ela não pode ser legitimamente escravizada a carregar e ter um bebê contra a vontade dela.

Isto apela à turma pró-aborto, mas eu espero que esse pessoal vá perceber o quão horrível é essa linha de pensamento se torna com este parágrafo posterior do mesmo livro:

Aplicando nossa teoria ao relacionamento entre pais e filhos, o que já foi dito significa que os pais não têm o direito de agredir seus filhos, mas também que os pais não deveriam ter a obrigação legal de alimentar, de vestir ou de educar seus filhos, já que estas obrigações acarretariam em ações positivas compelidas aos pais, privando-os de seus direitos.  Os pais, portanto, não podem assassinar ou mutilar seu filho, e a lei adequadamente proíbe um pai de fazer isso. Mas os pais deveriam ter o direito legal de não alimentar o filho, i.e., de deixá-lo morrer.  A lei, portanto, não pode compelir justamente os pais a alimentar um filho ou a sustentar sua vida. (Novamente, se os pais têm ou não têm mais propriamente uma obrigação moral ao invés de uma obrigação legalmente executável de manter seu filho vivo é completamente outra questão.) Esta regra nos permite resolver aquelas questões complicadas como: será que os pais deveriam ter o direito de deixar um recém-nascido deformado morrer (e.g., ao não alimentá-lo)? A resposta é claramente sim, resultando a fortiori do direito mais amplo de permitir que qualquer recém-nascido, deformado ou não, morra.  (Não obstante, como iremos ver a seguir, em uma sociedade libertária a existência de um livre mercado de bebês irá fazer com que tal “desprezo” seja mínimo).

Eu acho interessante que alguém escreva um livro intitulado “A Ética da Liberdade” e então não consiga abordar a imoralidade de deixar uma criança morrer de fome. Interesse a parte, o nível de depravação que isso necessitaria seria muito maior do que aquele do assassino comum. Colocar uma arma na cabeça de um homem e então puxar o gatilho parece a mim muito mais civilizado do que olhar e escutar enquanto uma criança definha durante dias e semanas. Claro que não advogo por nenhum, mas ainda assim espero que você aprecie a comparação. Há uma razão pela qual nossa sociedade entra em pânico quando uma mãe coloca seu recém nascido numa lixeira. Ter tais pessoas em nossa sociedade nos choca com razão, porque elas têm tal descuido com a vida humana que elas ameaçam a vida dos outros, especialmente os mais fracos e indefesos entre nós.

Walter Block tem um argumento parecido para o que ele chama de “expulsionismo” como uma alternativa entre a dinâmica tradicional de pró-vida vs. pró-escolha do aborto.

Passando da questão pro vida contra pro escolha do aborto, eu ofereci a posição libertária do “expulsionismo”, que dá o melhor compromisso nesta questão. Em resumo, o argumento pelo expulsionismo é o seguinte:

  1. O feto não nascido está invadindo o ventre da mulher.
  2. O direito de todos os fetos são iguais.
  3. Portanto, a única escolha correta seria expulsar o feto. Matá-lo seria errado.

Ambos diretamente e com razão apontam que em um mercado livre, haveria demanda por bebês. Seja de casais homossexuais, ou pessoas inférteis por qualquer razão, ou pessoas solteiras que queiram uma criança, ou quaisquer que sejam as razões. Não existe falta de pessoas no mundo que amam crianças. Então, estando ausente a regulação estatal, transferir os diretos a, e a responsabilidade por, uma criança por uma quantia ou qualquer outro motivo, seria fácil. Isto estaria em oposição ao que vemos no mundo atual, onde a adoção é um processo caro, complicado e demorado, fazendo com que milhões de crianças americanas sejam mortas em clínicas de abortos ou criadas como tutelados do estado, enquanto pais importam crianças do mundo todo.

Certamente, Rothbard e Block propõem soluções muito superiores àquelas que o estado atualmente nos oferece, e por isso podemos agradecê-los por suas contribuições para fazer do mundo um lugar melhor.

Porém, algo ser melhorado que as opções oferecidas pelo estado não é o ideal libertário. Dizer por exemplo que um imposto sobre vendas de 10% seria superior as atuais leis americanas de impostos é verdadeiro. Muitos dos que se identificam como libertários concordariam com isso, mas impostos, não importa o quão baixos e fáceis de entender, serão sempre menos do que libertárias, pois eles são coercivos.

Block e Rothbard ambos consideram que a vida começa na concepção. Eu não estou certo se isso é verdade, mas excetuando-se uma nova descoberta científica que defina claramente a vida humana, isto não é algo que um sistema de justiça libertário deva se intrometer. Se eu sei ou não quando a vida começa, é a mesma questão de se eu sei ou não se alguém está do outro lado de uma porta quando eu atiro através dela. Se eu atirar uma arma através de uma porta fechada, e do outro lado uma vida for perdida, eu serei responsável por esta vida. Se a vida perdida for a de um intruso, eu estaria justificado. Se a vida perdida for a de um convidado, cônjuge, ou criança, então eu devo ser levado à justiça numa sociedade livre, pelos agentes de quem quer que eu tenha matado.

Exceto pelos seus próprios pais, e a moral geral de uma sociedade, uma criança não nascida não tem agentes. Ela não produziu nada em troca de proteção e em qualquer caso não tem a capacidade de firmar contratos. Devido a isso, mulheres poderão sempre ficar tranquilas que, por bem ou por mal, o libertarianismo nunca terá a capacidade de punir abortos, ou a expulsão de um feto. Para aqueles que veem o aborto como um ato de terrível violência contra os mais indefesos de uma sociedade, o único recurso seria o ostracismo.

Nós não podemos causar mais violência a uma mulher que aborta ou expulsa o seu feto, do que podemos a um marido que bate na esposa, que por sua vez o desculpa por bater nele. O libertarianismo reconhece que o homem não tem direito a bater na mulher, mas se a mulher não procura a justiça, então a sociedade geral não tem atuação no caso. Se ela escolher viver como uma esposa abusada, nós podemos reconhecer que isto é uma coisa terrível, mas não temos o direito de forçar um determinado estilo de vida a ela, somente porque nós discordamos de suas escolhas, Do mesmo modo que não temos atuação no caso da mulher abusada, não a temos no caso do feto abortado ou expulso.

Então sobre a questão de justiça no caso de aborto ou expulsão do feto, o libertarianismo não tem todas as respostas. Uns acharão isso bom, outros, maligno, mas isto não é diferente de outras questões como racismo, sexismo ou homofobia. A Não Agressão não se importa com a estética.

Então, a questão é moral e filosófica. O libertarianismo é mais do que um sistema de justiça, é um padrão de conduta. Se eu matar um adulto e ninguém me pegar então eu escaparia da justiça em uma sociedade libertária. Isto não significa que me é permissível matar em segredo. E então a questão volta à obrigação moral dos pais para as crianças, que Rothbard negligencia.


Block diz que fetos têm os mesmos direitos, e que por causa disto, um óvulo fertilizado por um estuprador, é igual a um fertilizado por sexo consensual. É um argumento interessante, com certeza. No caso de estupro, o feto em questão não cometeu violência contra a hospedeira, Tal ato de violência foi cometido pelo estuprador, e a vida agora crescendo na mãe é uma vida inocente. Matar o estuprador seria visto como justiça, mas matar o bebê seria assassinato, assumindo que a vida começa na concepção, que é o que Block acredita.

Se aceitarmos isso, o expulsionismo faz muito sentido. Nós não temos o direito a matar a criança, mas se ela não for desejada, poderíamos expeli-la, aconteça o que acontecer.

Porém eu discordo dos argumentos de tanto Rothbard quanto Block quanto ao sexo consensual não ligar a mãe à criança, ou, falando nisso, do pai à criança. Para ambos, a criança é um parasita e invasor não importa como ele tenha chegado ao útero. Nesse caso, não necessitaríamos do expulsionismo, nós poderíamos matar a criança pelo aborto tradicional.

Eu não preciso procurar saber as intenções de um invasor dentro de minha casa. Talvez ele não queira me machucar, talvez ele esteja somente bêbado e tropeçou na casa errada, talvez alguém bateu nele até desmaiá-lo e jogou-o no jardim, como ele chegou ali não é minha preocupação. O nível de força que eu uso para expulsá-lo cabe somente a mim julgar.  Se eu grito para ele sair, ou jogo o cadáver dele fora pela porta de trás, a decisão é totalmente minha porque o intruso violou minha propriedade e eu estou justificado em protegê-la. Eu não sou obrigado a me colocar em perigo ao informá-lo de minha localização, ou tentar pegá-lo, porque a ameaça potencial à minha segurança dentro de minha própria casa é justificativa bastante para o uso de força letal.

Se eu o convidei à minha casa, a situação se torna completamente diferente.

Não há dúvida de que a gravidez é uma situação que põe em risco a vida da mulher. Incontáveis mulheres morreram ao longo dos anos devido a complicações causadas pela gravidez, e enquanto avanços médicos fizeram isso muito menos frequente, a ameaça não foi eliminada. Então, se aceitarmos que o sexo consensual não liga mãe e pai à criança, então o feto não é somente um parasita e invasor, mas também uma ameaça potencial à mãe, e então força letal seria justificada.

Então podemos dizer que expulsionismo e aborto seriam assuntos de mera preferência. Assim como eu poderia jogar o intruso vivo para fora de minha casa, ou levar seu corpo sem vida para a lixeira, de acordo com meu próprio sistema de valores, então eu estaria justificado em expelir a infecção uterina parasítica do feto, eu também teria justificativa para matá-lo, de acordo também com tal sistema de valores.

Eu não aceito isto. Eu escrevo este documento em 19 de abril de 2014. Não há ser humano em idade reprodutiva hoje que não saiba de onde um bebê vem. Dizer que o sexo consensual não liga tanto mãe quanto pai à criança, é dizer que nós podemos matar convidados em nossas casas, e jogar fora toda a responsabilidade pelos nossos atos.

Dizer que alguém pode criar uma criança, e então parar de cuidar dela, razoavelmente esperando que o resultado fosse a morte de tal criança, é o mesmo que dizer que nós poderíamos sem qualquer cuidado jogar uma bomba fora. Se eu decidir me preparar para o apocalipse zumbi construindo bombas em minha garagem, e então perder interesse após o fim de temporada de The Walking Dead, eu não posso simplesmente jogar minhas bombas improvisadas no lixo e esperar o lixeiro chegar. Eu sei que tais bombas têm o potencial de destruir, e devo esperar que o compactador de lixo do caminhão poderia detoná-las, matando o lixeiro. Se chamarmos isso de assassinato, de homicídio culposo, de negligência criminosa, o resultado é o mesmo, uma vida inocente foi perdida devido ao meu descuido. A lei moderna corretamente prevê que eu deva ter responsabilidade, e também assim julgariam os agentes do lixeiro na inexistência do estado.

O fato de que o bebê não tem agentes na ausência do estado, não muda os direitos da criança ou as responsabilidades do pai ou mãe. Ao criar a bomba, eu me tornei responsável seja pelo seu armazenamento ou descarte adequados, ou pela vida e propriedade que ela destruir. Ao criar uma criança eu me torno responsável ou pelos cuidados e alimentação apropriados, ou por sua morte. O único jeito que eu posso me livrar da responsabilidade é conseguindo alguém diferente para aceitá-la.

Quando alguém inicia um curso de eventos do qual podemos razoavelmente esperar a morte de outrem, e a morte de fato ocorre, este alguém se torna uma matador. Se o aborto for um crime que o libertarianismo não pode punir, então que seja, mas que não nos tornemos defensores de sangue frio do abandono de crianças, ao ignorar o fato de que é um horrível ato inenarrável de violência irreparável matar bebês inocentes através de nossos descuidos.

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Mises, o fascista: o que é visto (um “argumento”) e o que não é visto (o absurdo)

por Guillermo Sanchez (post original aqui)

Tradução e adaptação: Ícaro Oliveira

Revisão: Daniel Castro

Quantas vezes você já ouviu o argumento “Mises era um fascista”? Essa é a maneira fácil que alguns esquerdistas descartam um oponente em muitas ocasiões: chamando tudo e todos que não são da esquerda, de extrema-direita (fascista ou nazista) sem nenhuma evidência convincente, somente porque é mais fácil rotular do que argumentar. Bem, esse caso foi refutado muitas vezes por excelentes autores[1], mas a melhor e mais completa refutação é o excelente livro de Ralph Raico, Classical Liberalism and the Austrian School. (sem tradução em português) [2]

Uma das definições de estupidez é “Ausência de discernimento” ou “sem inteligência; asneira.”. (http://www.dicio.com.br/estupidez/ ) No caso do argumento “Mises, o fascista”, isso se encaixa muito bem. Eu intitulei esse post fazendo referência a Bastiat (http://www.econlib.org/library/Bastiat/basEss1.html) porque em todo fórum, blog, seção de comentários ou até publicações acadêmicas ou livros que sejam alegados como “sérios”, está presente o mesmo padrão dessa ridícula e tola forma de argumento.
1. A falácia da citação fora de contexto
A esquerda comumente usa esse tipo de falácia (http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/f_litto/id021002b.htm#11) para vencer um debate. E o caso de Mises, é quase uma ilustração disso. Mas vamos ser justos. É perfeitamente possível uma pessoa não-esquerdista (austríacos, libertários, conservadores, Fascistas, etc) também apelar para essa falácia nesse ou em outros assuntos. Em cada caso, isso deve ser demonstrado da maneira que é usada e, depois disso, deve ser desmascarada. Agora vamos para o assunto do post – todo anti-austríaco irá mostrar essa frase de Mises:
“Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história.” [3]

Se você olhar com atenção para esse parágrafo, a primeira coisa que irá notar é que é o último parágrafo de uma capítulo inteiro. O que Mises disse em toda a seção? Esse capítulo se chama “As razões do fascismo” e nele você encontra coisas como estas:

“A ideia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome do mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional, exatamente como esta faz contra seus oponente. (…)
O grande perigo que ameaça a política interna na perspectiva do fascismo reside na sua total fé no decisivo poder da violência. Para assegurar o êxito, deve-se estar imbuído da vontade de vencer e de sempre proceder de modo violento. É este o mais alto princípio (…)
(…) porque os fascistas nada fazem para combatê-los, a não ser suprimir as ideias socialistas e perseguir quem as divulgue. Se, de fato, quisessem combater o socialismo, deveriam opor-lhe suas ideias. No entanto, há apenas uma ideia que pode, efetivamente, opor-se ao socialismo, isto é, o liberalismo (…)
(…)A repressão pela força bruta é sempre a confissão da incapacidade de fazer uso do melhor, isto é, das armas do espírito – melhor, porque somente elas prometem o êxito final. É este o erro fundamental de que padecem os fascistas e que, em última análise, causará sua derrocada. (…)
(…) Tanta discussão para a política interna do fascismo! Não merece maiores considerações o fato de que a política externa do fascismo, baseada no reconhecido princípio da força nas relações internacionais, não pode deixar de causar uma série de conflitos internacionais que, necessariamente, destruirão toda a civilização moderna. “ (os negritos e itálicos foram feitos pelo autor do post).
Fascistas são apenas um grupo de reacionários violentos ao comunismo soviético, sem qualquer ideia sustentável, tudo o que eles podem fazer é se opor por meio da força, usando os mesmos métodos que os russos. Mises é quase maçante em afirmar que para combater o comunismo, a violência é completamente inútil. É no campo das idéias que eles serão derrotados.
Como Raico refutou brilhantemente: A citação veio de um capítulo dedicado em ATACAR o Fascismo. [4] Mises nunca endossou o fascismo. Sim, você leu direito: Mises nunca endossou o fascismo. Ele apontou claramente que é uma ideologia anti-liberal próxima ao dos bolcheviques.
A fim de demonstrar o quão ridículos, desonestos e estúpidos são esses argumentadores (veja a definição do dicionário acima) que usam esse tipo de falácia, vamos aplicar isso para outro autor. Quem disse isso?

“A burguesia revelou como a brutal manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reação, encontra seu complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira a provar o que pode realizar a atividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas.
(…)Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente da civilização mesmo as nações mais bárbaras. Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança (…)
(…)A burguesia, durante seu domínio de classe, apenas secular, criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais que todas as gerações passadas em conjunto (…)” (negrito, realce de cor e itálicos foram feitos pelo autor do post)

Uau! Quem no mundo inteiro pode ser tão grato, tão cândido, tão expressivo, tão vívido a fim de exaltar as virtudes da burguesia e capitalismo? É ele ou ela um conservador? Libertário? Conservador? Republicano? Algum tipo de reacionário mercenário pago pelos banqueiros burgueses para defendê-los? Bem, surpresa! É o nosso amigão Karl Marx e o seu fornecedor, o industrialista (e possível explorador?) Engels. [5]
Agora, alguém pode realmente dizer que Marx era um defensor do sistema capitalista naquele texto? Nós podemos chamá-lo de “Marx, o explorador” ou “Marx, o Fascista”? Podemos falar que o Manifesto Comunista era uma defesa intelectual da burguesia? Não! Todos iriam me acusar de deliberadamente escolher uma citação, totalmente fora de contexto, para distorcer o que Marx estava dizendo. Como eu poderia chegar a uma conclusão tão estúpida? Por cometer a básica e estúpida falácia para “convencer”(=enganar) meus leitores.

Bem, o caso “Marx defensor do capitalismo e burguesia” é exatamente o igual ao caso “Mises defensor do fascismo”: uma tentativa ridícula de mostrar alguém dizendo alguma coisa que ele não sei apelando para uma falácia lógica de baixa categoria.
Isso é tudo sobre esse “assunto da citação”. Não existe mais o que discutir nesse assunto devido à falta de coerência lógica e honestidade intelectual aos apoiadores dessa “prova”. Qualquer um que levantar a voz dizendo “Mises era um fascista” por causa dessa citação, deve necessariamente admitir que, usando sua própria pseudo-lógica, Marx era um capitalista e um defensor da burguesia.
2. A falácia da culpa por associação
O segundo modo desse “argumento” falacioso (http://pt.wikipedia.org/wiki/Argumentum_ad_hominem) que estas pessoas têm, é o “você tem a ideologia das pessoas que você aconselha”. Isso consiste em acusar ou enredar que Mises era ou poderia ser um fascista pois era conselheiro [6] Engelbert Dollfuss, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Engelbert_Dollfuss) um intervencionista e fascista (embora não Nazista! Ele na verdade foi morto por eles) governante austríaco.
Embora o fato que, em si mesmo, o fato de usar essa falácia desacredita e refuta essa acusação, mais uma vez, a fim de ver o quão ridícula essa acusação é, nós temos que aplicar o mesmo princípio para uma situação similar.
Todos sabem que no período de 1918-19 depois do caos devido à derrota da Primeira Guerra Mundial, os países europeus começaram a entrar no “sonho” bolchevique. Na Áustria, o homem a cargo de trazer a revolução bolchevique para casa era o teórico, político e marxista austríaco Otto Bauer (http://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_Bauer). Alguns anos antes, Bauer freqüentou (http://migre.me/nwV2C) ao (http://migre.me/nwV8j) seminário de Böhm-Bawerk para tentar obter conhecimento e desafiar a completa refutação e demolição (http://mises.org/library/karl-marx-and-close-his-system) da teoria marxista de Bawerk. Lá ele conheceu Mises. No período caótico de 1918-19 Mises foi muito mais do que um “assessor próximo” de Bauer, ele foi um amigo. Mises gastou, na verdade, muitas noites convencendo (http://mises.org/library/education-austro-marxist) Otto e sua esposa para não levar a Áustria para o lado bolchevique, como muitos países, a Hungria, por exemplo, fizeram depois da Primeira Guerra. Ele conseguiu convencê-lo, e salvou a Áustria da administração catastrófica e caótica dos bolcheviques fanáticos. [7]
Como você leu, Mises aconselhou um político, socialista, marxista e pró-bolchevique. Alguém poderia nas suas perfeitas faculdades mentais, insinuar que, por causa disso, Mises era um socialista? Existe um fator em comum entre Mises aconselhar um socialista marxista e depois disso um fascista intervencionista? Sim! Ele estava tentando fazer o melhor para o seu país [8]. Ele tentou evitar o caos econômico dos bolcheviques primeiro, e depois tentou evitar a dominação nazista.
Nós vemos o quão estupidamente ridículo é chamá-lo de fascista porque ele aconselhou Dollfuss, e não chamá-lo de marxista-socialista por aconselhar Bauer. A estupidez e contradição da falácia da culpa por associação é evidente. Esse não é um argumento, de qualquer maneira. Não se pode ser levado a sério.

Outro caso: Milton Friedman aconselhou (http://www.libertylawsite.org/2012/05/04/milton-friedmans-work-free-men-and-free-markets/) os líderes da China Comunista em 1980. Então, como Milton aconselhou os comunistas, nós podemos dizer que Friedman era um comunista ou simpatizante do Comunismo apenas por que ele aconselhou um governo comunista? Não! [9]
Mais um: Karl Marx aconselhou o manufator-burguês-“explorador” (http://migre.me/nwVlr) Friedrich Engels. Podemos dizer que Marx um apologista do capitalismo apenas por que ele aconselhou um “capitalista”? Continuar lendo

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