A Pílula Vermelha de Rothbard

""por Dan Sanchez (O original está aqui)

Tradução: Daniel Castro

Eu me lembro quando as viseiras caíram dos meus olhos, e eu enxerguei o Estado como ele realmente é, e sempre foi. Eu estava sentando em meu carro em San Francisco, escutando a um audiolivro do Mises.org de Por uma Nova Liberdade por Murray Rothbard. Minha percepção do mundo jamais seria a mesma novamente.

A experiência foi similar à de uma grande cena do filme Matrix. O personagem Neo sabe que algo está profundamente errado no mundo, mas não consegue identificar o que é. Ele pergunta ao misterioso Morpheus sobre algo que o está assombrando. O que é a Matrix? Morpheus responde, “É o mundo que foi colocado diante de seus olhos para cegá-lo para a verdade.” “Que verdade?” Neo pergunta. “Que você é um escravo, Neo. Como todos os demais, você nasceu agrilhoado, nasceu em uma prisão que você não pode cheirar, sentir ou tocar. Uma prisão para a sua mente.” Morpheus então oferece a Neo uma escolha entre duas pílulas: uma vermelha e uma azul. “Esta é sua última chance. depois disto, não há volta. Você toma a pílula azul: a história termina. Você acorda em sua cama e acredita no que você quiser acreditar. Você toma a pílula vermelha: você permanece no país das maravilhas e eu te mostrarei o quão profundo o buraco do coelho vai.” Neo toma a pílula vermelha, que o acorda do sonho de realidade virtual que ele havia vivido durante toda a sua vida: um sonho que fora ligado diretamente em seu cérebro enquanto, na verdade, seu corpo era hospedeiro para máquinas parasitas. Estas máquinas cultivam e se alimentam de corpos de bilhões de humanos sonhando em grandes fazendas-fábricas. Rothbard foi o meu Morpheus, assim como ele foi para incontáveis outros libertários, e sua obra foi minha pílula vermelha. Lê-la me acordou para o fato de que eu, como Neo, nasci agrilhoado: agrilhoado ao estado, que é um parasita sugador de vidas, fazendeiro de humanos que esconde a sua verdadeira natureza sob um véu de normalidade e legitimidade, através de mentiras que ele me forçou a engolir desde que eu era uma criancinha. A análise de Rothbard sobre o estado seguia a tradição de Lysander Spooner, Franz Oppenheimer, Albert Jay Nock, e Frank Chodorov. Esta tradição construiu uma teoria da justiça que não fazia exceções ao estado, e uma análise sociológica que revelava sua verdade natureza e função. Quaisquer funções benignas e expansivas que os adoradores do estado garantiram a ele, e quaisquer funções limitadas que até mesmo filósofos liberais de “contrato social” como Locke have permitiram a ele, aqueles que realmente detêm o aparato do poder estatal têm seus próprios interesses. É o uso e desenvolvimento destes que determina a verdadeira função do estado. E esta função não tem sido, como o Governador Morris alegou, tomar parte da propriedade de seus cidadãos “para a segurança dos demais.” Não, o estado não cobra impostos para proteger. Ele (ineptamente) protege para poder cobrar impostos. É um criminoso incomum que diz para criminosos comuns, “Tire suas mãos, estas são minhas vítimas.” É um “monopólio do crime,” nas palavras de Nock: um “salteador de estradas,” nas palavras de Spooner, ainda pior que um salteador, que, apesar de seus defeitos, pelo menos “não, além de te roubar, tenta fazer de você seu trouxa ou seu escravo.” É uma horda de conquistadores, como Oppenheimer explicou, se acomodando e se tornando de casa, e prudentemente limitando suas espoliações para não matar seu hospedeiro. Rothbard construiu por cima e sistematizou estas análises, especialmente em seu Por uma Nova Liberdade (1973), Anatomia do Estado (1974), e A Ética da Liberdade (1982). Rothbard demonstrou como “o Estado nada mais é que uma gangue de bandidos em grande escala…” Uma das mais importantes contribuições a esta tradição foi integrá-la com as descobertas de Étienne de La Boétie, David Hume, e Ludwig von Mises para explicar como tais“gangues de bandidos” escondem sua natureza criminosa com um véu de legitimidade tecido pelos intelectuais da corte e vestida, como uma Matrix, sobre nossos olhos pelas escolas públicas e pela mídia dominada pelo estado. Estes lacaios enganam e doutrinam o público em troca de uma fatia do dinheiro. Então, o Estado é um predador previdente, prudentemente progredindo para o parasitismo, sustentado pela propaganda. Morpheus sabiamente alertou Neo, “Lembre-se. Tudo o que eu estou te ofertando é a verdade. Nada mais.” No fim das contas, a verdade pode ser algo horrível de ser descoberta. A vida virtual de trabalho em escritório, de surfar na internet, e ir a boates de Neo foi varrida para longe enquanto ele acordava para uma realidade infernal de prisões e robôs matadores. Talvez ela não seja visualmente tão dramática quanto isto, mas a Pílula Vermelha de Rothbard também tem um grande impacto, e pode te tirar dos trilhos. É profundamente perturbador ver os véus da legitimidade e eufemismo serem levantados de instituições previamente celebradas. Aquela preciosa escola pública aonde você vai todos os dias é revelada como um campo de doutrinação e sedação, com bizarros juramentos de submissão, e a inculcação de uma reverência adoradora pelos líderes estatais do passado mais sujos de sangue. O policial heroico no carro atrás de você é revelado como um salteador, perseguidor de escravos, e um fascista brutal, que irá te roubar na primeira chance que ele tiver, algemá-lo e prendê-lo para ter lucro se você estiver com o tipo errado de ervas em sua posse, e talvez ele vá bater em você no chão ou colocar uma bala em sua cabeça se de algum modo você incomodá-lo. As guerras de defesa da liberdade que você vê sendo cobertas pelas Televisões a cabo, até mesmo as “boas guerras” em seu livro de história, são reveladas como atrocidades corruptas de assassinato em massa e terrorismo. Os “caras bons” se tornam caras maus, e muitos “caras maus” se tornam vítimas, enquanto seu mundo vira de ponta cabeça. No filme Matrix, o personagem Cypher se arrepende profundamente de não ter tomado a Pílula Azul e ativamente tenta reapagar sua mente para esquecer a realidade e retornar ao sonho. “A ignorância é uma bênção,” ele diz melancolicamente. Similarmente, a verdadeira natureza do Estado é uma realidade muito dura para alguns aceitarem, até mesmo para muito libertários. Tais pessoas muitas vezes terão uma reação visceralmente negativa a Rothbard, porque ele sempre te dá uma pura Pílula Vermelha, sem adulterações ou eufemismos. Para outros, como Neo,viver uma prazerosa, mas altamente suspeita mentira é muito mais agonizante do que olhar para a realidade, horrível como ela possa ser, cara a cara, e fazer o trabalho duro necessário para mudá-la. Tais indivíduos ficarão mais envigorados  pela clareza moral que naturalmente vem ao deixar de lados padrões duplos (dois pesos e duas medidas). Isto pode parcialmente explicar o comportamento alegre do próprio Rothbard (ago bem distante do comportamento perpetuamente deprimido de Neo) e seu amor pela vida assim como pela liberdade.

Assim Morpheus, a Pílula Vermelha de Rothbard oferece a verdade, e nada mais. Mas para muitos, a verdade dá uma boa sensação natural como nenhuma outra.

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