Falta democracia em Singapura?

Por Thomas Sowell. O original está aqui.

Tradução: Daniel Castro

Não é comum que o líder de uma pequena cidade-estado — neste caso, Singapura — ganhe uma reputação internacional. Mas ninguém merece mais isto do que Lee Kuan Yew, o fundador de Singapura como país independente em 1959, e seu primeiro ministro de  1959 a 1990. Com sua morte, ele deixa um legado valioso não somente para Singapura, mas para o mundo.

Nascido em Singapura em 1923, quando lá era uma colônia britânica, Lee Kuan Yew estudou na Universidade de Cambridge depois da segunda guerra mundial, e ficou muito impressionado com a Inglaterra ordenada e respeitadora de leis daquela época. Era grande o contraste com a Singapura pobre e cheia de crimes de então.

https://rcm.amazon.com/e/cm?lt1=_blank&nou=1&bc1=FFFFFF&IS2=1&bg1=FFFFFF&fc1=000000&lc1=0000FF&t=lewrockwell&o=1&p=8&l=as4&m=amazon&f=ifr&ref=ss_til&asins=0465022529Hoje, Singapura tem um PIB per capita mais que 50% superior ao do Reino Unido e uma taxa de crimes que uma fração da taxa inglesa. Um estudo de 2010 mostrou que mais patentes e pedidos de patentes vêm de Singapura do que da Rússia. Poucos lugares do mundo se comparam a Singapura em limpeza e ordem.

Esta transformação notável de Singapura ocorreu durante o regime autoritário de Lee Kuan Yew, por duas décadas primeiro ministro. E aconteceu apesar de alguns entraves sérios que levaram ao caos e à destruição em outeos países.

Singapura tinha poucos recursos naturais. Ela tinha de importar água potável de sua vizinha, a Malásia. Sua populaçâo consistia de diferentes raças, linguagens e religiões — a maioria chinesa e as importantes minoriais malaia e indiana.

Em uma época que outros países de terceiro mundo estavam criando economias controladas pelo governo e culpando a “exploração” de nações industriais mais avançadas por sua pobreza, Lee Kuan Yew promoveu uma economia de mercado, deu boas vindas a investimentos estrangeiros, e fez as crianças de Singapura aprenderem inglês, para maximizar os benefícios de Singapura como um porto importante para o comércio internacional.

As escolas de Singapura também ensinavam as linguagens nativas dos chineses, malaios e tâmeis indianos.https://rcm.amazon.com/e/cm?lt1=_blank&nou=1&bc1=FFFFFF&IS2=1&bg1=FFFFFF&fc1=000000&lc1=0000FF&t=lewrockwell&o=1&p=8&l=as4&m=amazon&f=ifr&ref=ss_til&asins=0465058728

Mas todos tinham de aprender inglês, porque era a língua internacional do comércio, da qual a prosperidade econômica do país dependia.

Em resumo, Lee Kuan Yew era pragmático, ao invés de ideológico. Muitos observadores viam uma contradição entre o livre mercado singapuriano e sua falta de democracia. Mas seu primeiro ministro longevo no cargo não considerava seu povo pronto para a democracia. Ao invés, ele ofereceu um governo muito menos corrupto que o dos outros países daquela região do mundo.

Seu exemplo é especialmente notável porque tantos no ocidente parecem pensar que a democracia é algo que pode ser exportada para países cuja história e tradição são totalmente diferentes das nações ocidentais que evoluíram instituições democráticas ao longo de séculos.

Mesmo um campeão da liberdade como John Stuart Mill disse no século XIX: “A forma ideal de governo, é quase desnecessário dizer, não significa que seja praticável em todoa os estados da civilização.”

Em outras palavras, a democracia tem prerrequisitos, e povos e lugares sem tais prerrequisitos não necessariamente se sairão bem quando tais instituições forwm criadas.

O exemplo recente mais doloroso foi o do Iraque, onde, um governo eleito democraticamente , criado com o gasto de sangue e dinheiro americanos, se tornou um dos principais obstáculos a um povo unido com a força para se proteger de ataques terroristas internacionais.

Em muitas partes do terceiro mundo, governos democráticos pós coloniais garantiram que não haveria mais democracia que pudesse trocar os líderes originais. Isto levou à frase cínica , “um homem, um voto — uma vez.”

A democracia pode ser maravilhosa como princípio onde ela é viável, mas é um fetiche desastroso onde ela não é.

Lee Kuan Yew entendeu os perigos e desviou deles. Se nossos advogados ocidentais da “construção de nações” em outros países aprendessem esta lição, isto poderia ser o legado mais valioso de Lee Kuan Yew.

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Uma resposta para Falta democracia em Singapura?

  1. Veron disse:

    Ótimo artigo.
    Infelizmente o Populismo tende a ganhar na democracia do mundo Real.
    Esquerdistas quando gritam: “Meu deus está faltando democracia em Singapura” ignoram completamente como é maravilhosa a democracia de países socialistas que eles idolatram.

    O que foi feito em Singapura foi algo muito bom. Em 1975 estava em 33º (0.729) no IDH, hoje está em 9º (0.901) superando a Dinamarca que estava em 2º (0.900) em 1975.
    http://www.newworldencyclopedia.org/entry/List_of_countries_by_Human_Development_Index#Historical_data

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